A pesquisa proposta aborda a temática do anticomunismo como uma estratégia de desinformação utilizada pela plataforma digital Brasil Paralelo. O crescimento das mídias digitais tem possibilitado a disseminação de narrativas anticomunistas de maneira ampla e impactante, especialmente em contextos políticos polarizados. O anticomunismo, que historicamente atuou como uma ferramenta de manipulação política (Motta, 2002), tem se adaptado às novas tecnologias de comunicação. Nesse contexto, observa-se a plataforma Brasil Paralelo, destacando-se como um agente que utiliza o entretenimento e grandes produções audiovisuais para validar discursos de extrema-direita e revisionismo histórico, representando uma ameaça à integridade democrática. Para Bonsanto (2021) o revisionismo histórico promovido pela Brasil Paralelo não se limita apenas à veracidade ou falsidade das informações, mas busca moldar a percepção da sociedade sobre a história recente do país. Para Santos (2021), a Brasil Paralelo é um projeto midiático que se apresenta como uma alternativa à "narrativa dominante" e busca disseminar uma visão de mundo alinhada com os princípios conservadores e ultraliberais. O objetivo geral desta pesquisa é analisar o anticomunismo como estratégia de desinformação adotada pela Brasil Paralelo, caracterizando como esse anticomunismo pode acentuar divisões e disparidades sociais, bem como moldar políticas econômicas que favorecem determinados grupos em detrimento de outros. Os objetivos específicos incluem: a) analisar as estratégias de anticomunismo utilizadas pela Brasil Paralelo; b) investigar as fontes de financiamento e quais são os objetivos políticos e econômicos por trás dessas iniciativas; c) propor abordagens para combater esse tipo específico de desinformação. A metodologia adotada inclui análise de discurso e análise de conteúdo, fundamentada nas abordagens de Bardin (2011), Pêcheux (1993) e Bakhtin (2006). A coleta de dados para a análise foi realizada por meio de documentos audiovisuais disponíveis no acervo da plataforma Brasil Paralelo, sendo selecionados seus principais documentários: "História do Comunismo", "Pátria Educadora", "Era Vargas: O crepúsculo de um ídolo" e o filme "1964: Entre armas e livros". A escolha dos materiais a serem analisados foi feita com base na relevância de suas narrativas anticomunistas. A análise seguiu as etapas de pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados, considerando que o discurso é sempre uma expressão ideológica vinculada às condições de produção de um grupo específico. Os resultados parciais da pesquisa revelam como a Brasil Paralelo constrói e dissemina narrativas distorcidas, fortalecendo uma visão deturpada que afeta diretamente a opinião pública e prejudica o debate político. A análise revela que o discurso anticomunista é parte de uma estratégia maior que não apenas distorce a verdade histórica, mas também estabelece condições que legitimam desigualdades sociais e econômicas. Ao final da investigação, espera-se que os achados contribuam para a compreensão das dinâmicas de desinformação e ofereçam caminhos para fortalecer a resiliência da sociedade frente a esses fenômenos, lançando luz sobre a importância de um debate fundamentado em evidências e no reconhecimento de múltiplas narrativas sobre a realidade histórica e social do Brasil.
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)